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Sobre o não poder sofrer e o imperativo de força

  • 26 de fev. de 2018
  • 2 min de leitura

Nós vivemos em uma sociedade que privilegia o desempenho, a produtividade. Nela, sejamos adultos ou crianças, precisamos nos destacar em tudo que fazemos, em todas as áreas de nossas vidas, seja nos estudos, nos relacionamentos inter-pessoais ou no trabalho. Devemos ser alunos exemplares, profissionais exemplares, pais, filhos, namorados, cônjuges exemplares... Saudáveis. Bonitos. Inteligentes.


No meio disso tudo, falta espaço não apenas para erros, deslizes ou tropeços, mas também para que possamos sofrer. O sofrimento passou a ser combativo; ele é tido como um sinal de fracasso, de que a vida não anda acontecendo a perfeição, como nos comerciais de margarina, onde todos aparecem sempre felizes e sorrindo. Demonstrar que se está sofrendo, então, parece ser inconcebível. Chorar parece ter se tornado a cada dia mais inadequado.



Nesse cenário que se forma, tornou-se comum para nós psicólogos, recebermos em nossos consultórios pacientes que afirmam que tentam ser fortes e que se consideram fracos por terem dificuldade de lidar sozinhos com o que estão vivenciando. Vejam, existe um imperativo de força rondando a nossa sociedade e ele está diretamente relacionado a essa visão produtivista da vida. Frente a isso, podemos nos questionar: o que é ser forte? Ser forte seria não sofrer? As pessoas que sofrem são fracas? Por acaso, é possível não sofrer?


O sofrimento faz parte da nossa existência, ele é uma possibilidade para todos nós. As diversas maneiras com que compreendemos e lidamos com o que vivenciamos no decorrer de nossas vidas, são possibilidades que estão relacionadas com o nosso modo de ser, e que por isso devem ser compreendidas a partir da história de cada pessoa. Assim como o que causa felicidade, tédio... O que pode causar sofrimento em uma pessoa, não necessariamente irá causar em outra. Já os critérios de força-fraqueza que aqui falamos, na maioria dos casos são determinações sociais que não levam em conta a história e modo de ser de cada um de nós. Como podem, então, determinar, qualificar, o modo como lidamos com o que acontece em nossas vidas?

Muitas vezes o atendimento psicoterapêutico se constitui como um dos poucos espaços em que esse sofrimento pode existir, em que se pode falar sobre ele, compreendê-lo e integrá-lo como uma possibilidade da nossa existência. Onde ser forte pode deixar de ser um imperativo e ganhar outros significados.



Lívia G. Halfeld, CRP 05/50869

 
 
 

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