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Dia Nacional da Visibilidade Trans

  • 29 de jan. de 2018
  • 3 min de leitura

Muitas das coisas que tomamos como naturais, são fatos históricos, compreensões de uma determinada época sobre a humanidade. Até o início do século passado, por exemplo, mulheres não eram consideradas aptas a votar. Com o passar do tempo, passamos a compreender essa e uma outra série de noções sobre o homem como sem fundamento, sem base científica, o que fez com que elas fossem reavaliadas, preconceitos fossem localizados, nomeados.

Na área dos estudos de gênero e sexualidade a situação não foi e não é diferente. Por exemplo, somente em 1985 a homossexualidade deixou de ser considerada uma patologia pelo Conselho Federal de Medicina brasileiro, algo que já havia acontecido nos EUA vários anos antes. Esse movimento de despatologização das identidades homossexuais prosseguiu até que em 1990 e 1992, respectivamente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o a Classificação Internacional de doenças (CID) fizeram o mesmo. Hoje, apesar de muitas incompreensões por parte do senso comum, compreendemos as diversas orientações sexuais não como doenças, mas como possibilidades da sexualidade do homem. Por isso, o sofrimento relacionado a orientação sexual, não é compreendido como o sintoma de uma doença, mas como fruto do preconceito em uma sociedade ainda extremamente homofóbica, lesbofóbica e bifóbica.


​​Hoje podemos observar o crescimento do movimento de luta pela despatologização das identidades travestis e transexuais. Aqui, vale lembrar que orientação sexual e identidade de gênero não são sinônimos. Enquanto a orientação sexual diz respeito a quem nos sentimos física e emocionalmente atraídos, a identidade de gênero se refere ao modo como a pessoa se vê. O gênero não está relacionado a órgão sexual com que a pessoa nasceu, ele é uma construção social. As diversas identidades de gênero são possibilidades do nosso existir.


Hoje, dia 29 de janeiro, é o Dia Nacional da Visibilidade Trans, que marca a luta de travestis e transexuais por visibilidade e direitos sociais. Dentre esses direitos encontra-se o de realizar o processo transexualizador, isto é, a cirurgia para mudança do órgão sexual. Diversas são as identidades e expressões de gênero, então não necessariamente é um desejo de toda pessoa trans passar pelo processo transexualizador. Mas atualmente, o que garante esse direito é a presença do dito Transtorno de gênero ou da Disforia de gênero nos manuais diagnósticos. Há o temor de que o movimento de despatologização das identidades trans e a consequente retirada do transtorno dos manuais diagnósticos leve a uma perda de direitos, seja na impossibilidade de realizar a cirurgia ou de tomar hormônios. Uma argumentação trazida por algumas pessoas do movimento é de que pessoas grávidas se encontram nos manuais diagnósticos sem serem consideradas doentes, e tem seus direitos garantidos. Ainda há um caminho longo a se percorrer e nele é fundamental dar voz a essas pessoas.


Assim como ocorre com pessoas homossexuais, lésbicas e bissexuais, não compreendemos o sofrimento dessas pessoas com relação a sua identidade de gênero como o sintoma de uma doença, mas como fruto do preconceito e invalidação por parte da sociedade de suas identidades em um país extremamente transfóbico, que lidera o ranking mundial de assassinato de pessoas trans. É papel do profissional psicólogo, seja na clínica, na rede hospitalar ou de saúde mental, acolher o sofrimento dessas pessoas e estar junto a elas em sua luta contra violência, por direitos sociais e pela despatologização de suas identidades de gênero.

Fontes e indicações de leitura: http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2018/01/Resolução-CFP-01-2018.pdf

https://antrabrasil.org/

http://despatologizacao.cfp.org.br/

http://www.crpsp.org/site/legislacao-interna.php?legislacao=554

http://site.cfp.org.br/tag/identidade-trans/

http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=25530:2015-05-26-14-20-52&catid=46

 
 
 

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